Olho através da janela. Vejo um movimento constante de carros que andam demasiado apressados.
Alguém a medo se atreve a passar na passadeira. Passa um carro de polícia... há uma escola por perto. Soam buzinas e os semáforos conseguem mescer com o nervoso miudinho de qualquer um.
Por vezes acho isto tudo uma loucura. É um ritmo de vida doentio. Ninguém passeia... aqui corre-se. Ningém espera, aqui... cada um por si.
Gosto de beber um café pela manhã e acho graça ao cão que fica à porta da pastelaria à espera da dona. Faz-me sorrir. Pensar que um simples ladrar de cão no andar abaixo incomoda... raramento o ouço, nem dou por ele. " Apartamentos não são para animais", oiço dizer.
Sou calma, detesto que me apressem, nem consigo, sequer. Costumo dizer que funciono a meio gás, devagar e com calma.
Aqui não há folhas de Outono para apanhar, mas encontrei um senhor na rua a vender verduras. Estranho, pensei eu, mas gosto. É somente raro, por aqui.
Tudo funciona por senhas, o muito fácil é muito complicado e mecânico. O ar que aqui se respira é o que sai dos tubos de escape, que com alguma sorte vem acompanhado de um "kizomba" em volume 18 ( nada contra o estilo de música, foi só para me expressar melhor ). Enfim... há quem me conte que se discute por lugares nos autocarros e que aqui não é o autocarro que te leva, és tu que levas com ele se te discuidas.
E pergunto-me porquê? Para quê? Quais as vantagens? Andamos demasiado selvagens...
Que andamos a fazer, o porquê do correr, e estas sirenes?
Que maneira é esta de passar pela vida?
Tudo isto me faz lembrar a letra daquele fado... Que estra forma de vida, de Amália Rodrigues.
Foi só um desabafo.

